Botões

August 28, 2011

Que me faltam: um na camisa branca de mangas curtas, dois no sobretudo preto, um no casaco verde e dois na calça cáqui. Ia morar com LuizFernando que sabe coser, mas não vou mais e tenho que aprender isso também; já comecei a notar nas lavagens o verso das roupas – as melhores tem mesmo a linguinha com pelo menos um exemplar extra de cada botão. Muito prudente.

Da primeira vez que saí de casa notei a falta da saboneteira. Da segunda e terceira não notei nada (eram lugares que viviam sem mim), na quarta o abridor de latas. Acho que agora é a vez do kit costura.

Pensei por um tempo que sentiria falta de uma gaveta de fármacos, mas ontem trouxe pra casa a rúcula mais cara do mundo, peixe e queijo pensando no que deles o corpo se aproveita; isto mais mel e água já me dão segurança o bastante.

 

(Como Adriano)

Comer um fruto é fazer entrar em si mesmo um belo objeto vivo, estranho e nutrido como nós pela terra. É consumar um sacrifício no qual nós nos preferimos ao objeto. Jamais mastiguei a crosta do pão das casernas sem maravilhar-me de que essa massa pesada e grosseira pudesse transformar-se em sangue, calor e, talvez, em coragem.

Ao mesmo tempo penso em ir ao cinema, mas o joelho reclama há uma semana sem que número nenhum de bananas faça efeito. No começo mantive a rotina, talvez assim sem dar importância tudo se recuperasse melhor (como as crianças quando caem e, se não encontram ninguém por perto, desistem de chorar); mas não.

 

 

Joelhos são muitíssimo sensíveis.

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