Trato de Cavalo

May 16, 2010

Quando estou com a danada, tomo banho com óleo. Tenho um único, ganhado de presente – vivo no normal do sabonete, xampu, condicionador, pasta de dentes; detesto o valor da compra de supermercado quando exige qualquer desses itens, tudo sempre dá o que custariam umas oito cervejas, aquele pacote bonito de massa de macarrão (em italiano), dois pincéis de pelo bom ou ainda quatro pontas caligráficas. Enfim, o óleo driblou a minha mesquinhez pelas mãos de algum parente.

Então me banho, e enquanto estou pensando em coisas sujas que vão embora e em me besuntar dessa coisa estranha esqueço de pensar em todas as respostas espertas que eu poderia ter dado a qualquer provocação. Eu não lembro de nada, eu não sei de nada além das veias e montes e músculos; faço a ceninha de desembaçar o espelho, vejo carrancas de pirraça, tudo parece pequeno e engraçado, apesar de grave. Coloco as roupas imaginando que elas não me tocam, que estou em um casulo de óleo e do cheiro que sinto saindo pela gola.

Eu ando reto até a cama como se estivesse de armadura, agora a minha pele faz resvalar essas lanças, vou dormir meio romano.

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