a importância de ser quieto (nas artes marciais)

February 6, 2008

Quando te perguntam, ávidos, como é que se faz aquela sequência de movimentos na qual você tirou cinco estrelinhas no céu dos dragões, você olha vagamente pro horizonte, mexe as mãos como quem lembra, e diz, sorrindo bobo: Esqueci. Ou então: Mais ou menos assim… e erra. Não.

Quando te xingam a mãe de mulher fácil, você olha pra si, dá uma volta e diz: E não é que por acaso isso dá bons frutos?

O que livra todo meio-graduado do ridículo é esse tipo de voto de silêncio, até ser graduado o bastante pra ficar em silêncio por esperteza em vez de obrigação. Issos de quebrar a cara de quinze, de honrar a mãe chegando com uma conta de hospital em casa e um antecedente criminal no nome são, óbvio, umas besteiras bem iniciantes. Parece muito que as graduações agora vêm fácil não por ingenuidade de quem orienta, mas meio como um teste: se você passar por todo o treinamento e for excelente em todas as modalidades, será que te esgota o bom senso? Será que você vai de repente começar a pensar que se escapa de .38 levitando calmamente? Ou que sua mãe quer mesmo que você a proteja da boca de um desconhecido pé-rapado mais do que uma daquelas críticas da sua namorada aos bolos dela?

Seja lá como for, essas besteiras deixam tudo muito mais “preto-no-branco”: seu professor adora sublinhar os troféus da academia? Claro; é isso o que faz dele um professor, e é isso o que faz do lugar uma academia. Ninja Bollocks.

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